Desenvolvimento sustentável e economia circular – mas o que significam?

Provavelmente você já se deparou com os termos Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular, mas já parou para refletir a importância de cada um deles para a sociedade e para o meio ambiente?

Desde a Revolução Industrial, vem-se observando uma alteração no padrão de consumo da sociedade, a qual se tornou mais dinâmica e, portanto, requisitando o desenvolvimento de novos produtos. Em especial, daqueles para consumo rápido e uso único (FOSTER; ROBERTO; IGARI, 2016).

Com a industrialização e com o desenvolvimento desta nova gama de produtos, as explorações dos recursos não renováveis passaram a ser cada vez mais intensas, tornando o balanço entre o consumo e absorção deste consumo pela natureza, negativos (FOSTER; ROBERTO; IGARI, 2016).

A observação deste desequilíbrio, levou a sociedade a explorar cada dia mais novas tecnologias que permitissem manter o equilíbrio entre estes fatores. Neste contexto, surgiram os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular.

Mas, afinal, o que significa cada um desses termos?

O termo Desenvolvimento Sustentável foi discutido pela primeira vez em 1987, na declaração de Tóquio. Nesta ocasião, o termo foi definido como o desenvolvimento econômico sem que haja comprometimento do meio ambiente. No entanto, o termo passou a ser efetivamente utilizado após 1992, ano em que ocorreu a conferencia Eco-92, e a consequente definição da Agenda 21, a qual é uma importante referência na integração entre os conceitos de meio ambiente e desenvolvimento econômico.

Assim, o termo desenvolvimento sustentável pode ser considerado como o desenvolvimento que leva em consideração quatro pilares fundamentais, sendo estes o Futuro, o Ambiente, a Participação e a Equidade. Podendo ser definido como a preservação dos ecossistemas a fim de que os recursos naturais não renováveis sejam utilizados de maneira consciente e responsável, tal que as próximas gerações tenham recursos suficientes para satisfazer suas necessidades e que possuam tempo suficiente para trabalhar na preservação desses recursos para as próximas gerações (PÔRTO JR., 2019).

Atualmente, muitas das linhas de produção existentes, trabalham com o conceito de economia linear, tal que as matérias-primas são extraídas do meio ambiente, os produtos são produzidos e posteriormente descartados. Visto o conceito de desenvolvimento sustentável, a ideia de preservar os recursos existentes  se torna fundamental. Sendo assim, tornou-se mais presente o conceito de economia circular, o qual visa substituir o “fim da vida” do produto, por uma reutilização do material em sua própria cadeia produtiva (PÔRTO JR., 2019).

Sendo assim, a ideia fundamental da Economia circular é: manter os recursos não renováveis no ciclo econômico, diminuir os resíduos e emissões de gases de efeito estufa e reduzir os gastos energéticos. No entanto, para que este processo possa ocorrer de maneira eficiente se torna necessária a participação da sociedade como um todo, visto que depende da participação da população para a separação dos materiais que podem ser reciclados, e encaminhamento destes aos centros de processamento. Um exemplo de economia circular é o processo bottle to bottle realizado pela CPR, onde garrafas PET são transformadas em novas garrafas PET (PÔRTO JR., 2019).

Ambos conceitos discutidos envolvem a mensuração da emissão de gases de efeito estufa. Conhecendo-se a emissão de um processo, pode-se trabalhar com possíveis melhorias e implementação da circularidade no processo. Mas como são mensuradas as emissões de gases contribuintes do efeito estufa na produção de um dado produto?

Uma maneira de avaliar as emissões envolvidas em um dado processo é utilizando a avaliação de ciclo de vida (ACV) do processo.

Ficaram curiosos para saber um pouco mais sobre a análise de ciclo de vida? No próximo artigo, discutiremos um pouco mais sobre a ACV e sua importância.